Falta de qualificação é o principal obstáculo. Mercado em crise busca profissionais prontos e atualizados, afirma consultoria

Com o número de desempregados no País aumentando mês a mês, a procura por vagas tem sido o cotidiano de muitos brasileiros. Mas o que pouco se fala é que esta busca também existe por parte das empresas, que atualmente contratam menos, porém, mesmo com a grande oferta de mão de obra, não conseguem encontrar o perfil que demandam.

“No cenário de retração de investimentos e de consumo de hoje, o mercado passou a procurar profissionais prontos. Na crise, não há tempo de treinamento, a empresa procura funcionários que desde a contratação demonstrem bons resultados por saberem desempenhar bem a função para a qual foram selecionados”, explica Juliana Constantino, gerente da unidade Matriz.

Segundo levantamento realizado pela consultoria Luandre, que completa 45 anos de atuação em 2015 e tem em sua base centenas de empresas e milhares de candidatos, o tempo médio de preenchimento de uma vaga de nível superior é mais que o dobro de uma de nível primário. A relevância deste dado, é que segundo o IBGE e o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Governo Federal), são justamente as vagas com mais escolaridade e qualificação as que têm tido mais vigor e procura das empresas, influenciando para baixo os índices de desemprego.

Por outro lado, também segundo dados do IBGE, o tempo médio de procura de emprego aumentou: cerca de 55,4% dos trabalhadores sem ocupação levam de 31 dias a 6 meses para se recolocarem no mercado. Outros 7,9% levam mais de 7 meses e estão na faixa do desemprego de média e longa duração.

Mas o quê acontece para que as vagas não sejam preenchidas se os trabalhadores procuram e as empresas procuram? Falta qualificação e atualização aos candidatos em sintonia com o que o mercado busca.


Fonte: IBGE

 


Fonte: consultoria Luandre

 

 

Dados desemprego 2015

 Fonte: IBGE

 

Fonte: IBGE

 

Em 2015, somente nos primeiros quatro meses, o Brasil perdeu 130 mil postos de trabalho com carteira assinada segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Governo Federal),

Destes, o maior número de desempregados está entre a parcela com menos escolaridade e capacitação profissional. Somente em abril, foram 26 mil postos fechados para profissionais com ensino médio completo, enquanto foram abertas 500 vagas para profissionais com nível superior completo, o que reforça a informação da consultoria de RH Luandre, de que o aprimoramento profissional é uma das armas para enfrentar o desemprego.

QUALIFICAÇÃO E ATUALIZAÇÃO

“Uma boa formação acadêmica nem sempre é sinônimo de qualificação. É preciso ficar atento às demandas do segmento em que você atua e estar em sintonia com ele, já que o mercado vive em constante movimento”, conta Juliana Constantino.

A formação acadêmica é a base para a qualificação, que resulta do investimento do candidato em uma série de ações. Segundo a Luandre, além de cursos, vale para o aprimoramento profissional buscar palestras online, leitura de revistas e livros da área, disponibilizados muitas vezes na internet, e até mesmo conversas com profissionais da área para uma constante atualização, para que o candidato se diferencie em processos seletivos e entrevistas.

Outro ponto importante é ter claro qual seu objetivo profissional, em qual área atua e qual segmento quer seguir, optando por cursos relacionados que possam agregar valor ao seu currículo. “Busque identificar o quanto as empresas solicitam determinada formação através da descrição das vagas ofertadas em sites de emprego. Fuja sempre de cursos que prometem muito conteúdo em pouco tempo”, ensina a consultora Monica Roncolato.

Para os que estão empregados, uma boa estratégia é se antecipar e buscar cursos que possam ser desenvolvidos em paralelo à rotina de trabalho. Além de reforçar o currículo, esta postura valoriza o profissional e pode pesar positivamente para evitar a perda da vaga atual.

 

CURSOS E AÇÕES GRATUITAS

Como nem sempre o trabalhador tem uma reserva financeira para investir em cursos no momento em que está desempregado, o que o afasta de uma solução e do alcance da vaga que tanto procura, especialistas da consultoria Luandre, dão dicas de boas opções gratuitas.

“Há muitos fornecedores de cursos gratuitos pela internet, deve-se ter o cuidado e critério ao analisar o órgão ou profissional que irá aplicar o curso, quais conceitos e conteúdo programático serão abordados, para validar se trata-se de uma boa opção”, explica Sabrina Silva, gerente da Luandre.

 

Veduca

http://www.veduca.com.br

Portal que funciona como buscador de cursos nacionais e internacionais de instituições como UnB, Unicamp, USP, Google, BM&FBOVESPA, Berkeley, Harvard, MIT. Tem dezenas de opções gratuitas, inclusive com emissão de certificado.

Áreas: todas

 

FGV – Fundação Getúlio Vargas

http://www5.fgv.br/fgvonline/Cursos/Gratuitos

A Fundação Getulio Vargas é a primeira instituição brasileira a ser membro do OpenCourseWare Consortium – OCWC –, um consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos sem custo, pela internet.

Áreas: Direito, Economia, Gestão de Projetos, Empresarial, Socioambiental, Marketing, Financeira, de Pessoas, Educação e Comunicação.

 

ESPM

http://www2.espm.br/cursos/educacao-distancia/cursos-abertos

Conteúdo gratuito e com acesso portátil, sempre dividido em 4 semanas por tema, tem início imediatado e o aluno escolhe quando quer começar e o ritmo como quer aprender.

Áreas: marketing, comunicação e vendas

Assim como os cursos, o trabalhador que está à procura de emprego tem muitas opções de serviços gratuitos de busca de vagas, cadastro de currículos, orientação sobre como montar um currículo, dicas para entrevistas e outros.

Conhecer seu perfil profissional e área de atuação é a chave para conseguir sucesso nesta recolocação. “Dependendo do tipo de vaga que se busca, o serviço pago pode ou não ser vantajoso. Para vagas operacionais, administrativas ou determinados níveis técnicos é possível trabalhar perfeitamente com serviços gratuitos e conseguir uma boa oportunidade profissional. Existem diversos sites de busca de emprego que disponibilizam vagas e não cobram pela inscrição. Algumas agências e consultorias atuam da mesma forma, como a Luandre. Outra possibilidade é se cadastrar diretamente no site das empresas ou levar currículos pessoalmente”, explica Monica Roncolato.